Cirurgia de Ponte (bypass)

Cirurgia de ponte

A cirurgia de ponte (bypass) trata artérias que apresentam estreitamentos criando um desvio, ou ponte (bypass), permitindo que o sangue circule em torno da área bloqueada. Esse desvio é construído utilizando um enxerto, que pode ser feito de material sintético, ou então de parte de outra veia do próprio paciente, normalmente uma veia da perna.

As paredes das artérias normalmente são lisas e elásticas. Com o passar dos anos (envelhecimento), elas sofrem um processo de endurecimento e reação inflamatória crônica (aterosclerose). A placa que se forma na aterosclerose é composta de substâncias como colesterol, cálcio e tecido fibroso, que vão se acumulando nas paredes das artérias. Quanto mais placa se acumula nas artérias, mais endurecidos ficam os vasos e mais prejudicado fica o fluxo sanguíneo, diminuindo o fornecimento de oxigênio a órgãos e músculos.

Paciente com sintomas limitantes ou avançados de aterosclerose é um candidato à cirurgia de ponte (bypass). Os sintomas podem variar desde dor nos braços ou pernas durante atividade física (claudicação intermitente) até o desenvolvimento de ulcerações ou gangrenas nos casos mais severos.

As cirurgias de ponte mais conhecidas são as realizadas nas artérias do coração utilizando a veia safena (ponte de safena), mas elas também são utilizadas para tratar doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), que consiste no endurecimento e estreitamento das artérias que levam sangue aos membros e aos órgãos do corpo, com exceção do coração. Vasos localizados nas pernas, nos braços e em outras partes do corpo são comumente tratados pela cirurgia convencional de ponte (bypass).

Preparação

Primeiramente, o cirurgião fará uma entrevista detalhada com o paciente, incluindo aspectos como saúde geral (fumo, pressão arterial, etc.), história familiar e sintomas (quando e com que frequência acontecem). Paralelamente a essa entrevista, o médico realiza um exame clínico e testes laboratoriais para verificar o estado de saúde geral do paciente. Em seguida, alguns exames são realizados para verificar o local exato e o grau de comprometimento das artérias e ajudar a decidir sobre a melhor posição para a colocação do enxerto:

  • Índice de pressão tornozelo-braquial (ITB)

  • Ecografia vascular com Doppler colorido

  • Angiotomografia computadorizada

  • Angiorressonância magnética

  • Angiografia

Pacientes com história de ataque cardíaco (infarto do miocárdio prévio), dor no peito (angina) ou com alto risco para doença cardíaca associada deverão ser submetidos a uma avaliação cardiológica rigorosa.

Antes do procedimento, o cirurgião dará ao paciente instruções específicas conforme o caso, como, por exemplo, a necessidade de suspender ou manter medicamentos e o tipo de jejum (normalmente 8 horas) ou preparação que o paciente deve fazer.

Descrição do procedimento

O procedimento específico para cada caso varia conforme os sintomas, a condição geral do paciente e o grau de comprometimento das artérias pela placa de aterosclerose. A anestesia pode ser geral ou regional, também dependendo de cada situação.

A descrição geral de uma cirurgia de ponte realizada na perna é apresentada a seguir:

1. O cirurgião seleciona e remove a veia (enxerto) que irá servir para construir a ponte (normalmente um segmento da veia safena do membro inferior, que se estende do tornozelo até a virilha). Alternativamente, um material sintético pode ser utilizado.
2. Uma incisão é feita na pele para permitir o acesso à artéria a ser tratada.
3. O cirurgião então avalia o pulso na parte saudável da artéria, para garantir que a artéria tenha um fluxo suficiente de sangue para o bom funcionamento do enxerto.
4. Uma incisão é feita na artéria, na parte inferior à área obstruída. Nesse ponto, uma das extremidades do enxerto é suturada à artéria.
5. Em seguida, a outra extremidade do enxerto é guiada, através dos músculos e tendões, até um outro ponto acima da área bloqueada. A outra extremidade do enxerto é suturada à artéria neste ponto.
6. O cirurgião então verifica se o enxerto está corretamente alinhado e se há algum vazamento, às vezes com o auxílio de uma arteriografia ou ecografia vascular com Doppler realizados durante a cirurgia.
7. Após essa verificação, quando o procedimento chega ao fim, todas as incisões são fechadas. Novamente, o cirurgião pode se valer de uma ecografia vascular com Doppler ou de outros testes não-invasivos para verificar se o enxerto está funcionando adequadamente.

Pós-operatório

O paciente submetido à cirurgia de ponte pode ficar hospitalizado por 5 a 10 dias, e os pontos costumam ser retirados entre 7 e 14 dias após o procedimento. Logo após a cirurgia, o paciente é orientado a retornar ao consultório para avaliações periódicas.

Na ocorrência de febre, dor ou na presença de vermelhidão, inchaço ou secreção no local da incisão, o médico deve ser contatado imediatamente, uma vez que esses sinais podem indicar um início de infecção. Esfriamento do membro, formigamento, dor e dificuldade de movimentos são indicativos de trombose precoce do enxerto. Essa situação requer avaliação médica imediata.

Para pacientes com DAOP, o médico também poderá prescrever medicamentos antiagregantes plaquetários e vasodilatadores, como aspirina, clopidogrel e cilostazol, que ajudam a evitar a formação de coágulos.

Complicações

Pacientes que apresentam alguma das seguintes condições estão mais sujeitos às complicações relacionadas ao procedimento: pressão alta, obesidade, colesterol alto, doença arterial coronariana, doença pulmonar obstrutiva crônica, disfunção renal, diabetes e hábito de fumar.

As complicações associadas à cirurgia de ponte podem ocorrer, porém o sucesso do procedimento depende da experiência da equipe escolhida, das condições locais (hospital), da técnica cirúrgica, bem como do tipo de ponte indicado para cada caso. Complicações leves incluem inchaço ou inflamação no local da incisão. Já as complicações graves podem incluir obstrução da ponte, hemorragia no local da incisão ou infecção. É importante discutir esses aspectos e tirar quaisquer dúvidas com o cirurgião antes da realização do procedimento.

A longo prazo, mudanças de estilo de vida são fundamentais para evitar que depósitos de placa voltem a se formar. Alguns exemplos incluem: manter uma dieta com baixos níveis de gordura, colesterol e calorias, fazer exercícios aeróbicos regularmente (por exemplo, caminhadas de 20 a 30 minutos pelo menos 5 vezes por semana), manter o peso ideal, parar de fumar e controlar os níveis de lipídeos e colesterol.

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