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Discurso de Horácio Toro - Dia Mundial da Saúde

04.08.2004

Discurso de Horácio Toro, Representante OPAS/OMS, na Caminhada do Dia Mundial da Saúde.

Senhoras e Senhores,
Bom dia!

O Dia Mundial da Saúde é um dia especial para todos que trabalham por uma qualidade de vida melhor das populações. É o dia do aniversário da Organização Mundial da Saúde. Há 56 anos este esforço de mais de 190 países iniciava-se, liderado por dois países: a China e o BRASIL. O Brasil que participa ativamente a cada ano, quando um tema importante para a saúde pública é escolhido para lembrar a data. Hoje, em muitas cidades desse imenso país, muitos como nós estão nas ruas para lembrar que o trânsito é feito de pessoas e que devemos valorizar a vida.

O Dia Mundial da Saúde não é um momento só para chamar a atenção de alguns problemas mas também, para alavancar respostas de questões importantes que muitas vezes ficam fora de alguma agenda de prioridades.

Os acidentes de trânsito matam hoje mais de um milhão de pessoas, por ano, em todo o mundo e deixam entre vinte e cinqüenta milhões feridas, a maioria jovem, algumas com seqüelas que levarão para o resto da vida. Como se o custo desse imenso sofrimento não bastasse, os países ainda perdem de um a dois por cento da sua riqueza com gastos relacionados aos acidentes de trânsito.

É importante destacar nesse 07 de abril que a segurança no trânsito é uma questão de saúde pública. A hospitalização, a conseqüência de seqüelas e a reabilitação significam, além de sofrimento, custos para o setor saúde que poderiam ser minimizados com um programa consistente de prevenção de acidentes. A comunidade também é beneficiada quando há um uso racional de veículos nas grandes cidades e uma prática de condutas saudáveis que valorizem a vida nas ruas e estradas. A violência urbana no trânsito é hoje uma das mais graves e deve ser combatida.

Os fatores que nos põem em risco nas ruas e estradas são muitos. Vão desde a manutenção e construção de carros e vias, até o comportamento de pedestres e motoristas que desrespeitam os procedimentos mais elementares de segurança, como deixar de usar o capacete ou beber antes de dirigir.

Existe uma grande disponibilidade de conhecimentos para evitar mortes e incapacidade no trânsito. Há numerosos programas e políticas para promover uso de cinto de segurança, reduzir a velocidade, coibir o consumo de álcool, produzir estradas e carros mais seguros e aperfeiçoar os serviços de resposta em situações de emergência. O Relatório da OMS divulgado hoje em Paris e em Genebra, com prefácio do excelentíssimo senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a prevenção de acidentes de trânsito, mostra isso.

O Governo do Presidente Lula , comprometeu-se com a causa na Organização Mundial da saúde e será para o mundo uma vitrine do que se pode conseguir em um país tão grande como o Brasil, para que outros governos e povos possam tomar como exemplo. Nós, como Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde, comprometemo-nos em apoiar as iniciativas que surjam neste país para ir, junto com as suas autoridades e técnicos, construindo uma nova cultura de prevenção de acidentes e mortes no trânsito.

O tempo para começar a mudar essa situação é agora. Se nada for feito, segundo as previsões de técnicos da OMS e do Banco Mundial, chegaremos em 2020 com sessenta e sete por cento a mais de mortes causadas por acidentes de trânsito em todo o mundo.

Essa tendência só mudará se houver o esforço de todos. Somente com um esforço coordenado dos governos, organizações não-governamentais, universidades, meios de comunicação e o setor privado poderemos alterar, significativamente, a situação. É por esse motivo que lema do Dia Mundial da Saúde deste ano, em todo o mundo, destaca que a segurança no trânsito das nossas cidades e estradas não é um mero acidente. Depende de esforço e engajamento de todos nós.

Link(s):
www.opas.org.br/mostrant.cfm?codigodest=210
transito.bvs.br/




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